por Gualter Pereira

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A resiliência é como o colesterol. Há a boa e a má.

Há uma resiliência boa que incita a lutar, que habilita a lidar com a pressão e a ultrapassar o fracasso. E há aquela que, sob pretexto de a possuirmos, nos torna dotados de uma teimosia patética, que coage a insistir num caminho que não é o nosso.

Resiliência só porque sim, ou por teimosia, não ajuda a lidar com a pressão ou fracasso,  pelo contrario, faz-nos andar em círculos, insistir no erro e sofrer os seus efeitos nocivos.

Tenho muita dificuldade em ceder aos argumentos da literatura ou discursos de auto-ajuda barata, que dão receitas fáceis para a aplicação da resiliência. Desembocam invariavelmente em má resiliência, por ser desprovida de um intento ou propósito, de um alvo, e criam a noção que ela é um fim em si mesmo.

A resiliência é como o colesterol. O mau colesterol  acumula-se nas paredes das artérias, obstruindo a circulação do sangue, e no limite, obstruindo a vida, O bom colesterol dirige-se para o fígado, onde lhe são removidos os efeitos nefastos, permitindo que o organismo viva e evolua saudavelmente. 

A resiliência é como o colesterol. Há a boa e a má.

Procurar a boa resiliência é saber aonde ela nos leva. É saber que ela não é um fim em si mesmo, e ter a certeza de que em algum lugar, existem obstáculos que ela ajudará a dissipar, abrindo caminho ao designio a que nos propomos. 

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