O “hooliganismo” que abunda diariamente nas redes sociais, com ataques e insultos cobardes, é em parte, creio eu, fruto de uma clara regressão da aceitação ao que é diferente, ou ao que não está dentro dos limites do que se considera politicamente correcto.
A ditadura deixou de ser um sistema organizacional colectivo dos Estados e passou a ser unipessoal, à medida narcisista e tirânica de cada um.
Somos cada vez menos estimulados a sermos expostos ao que é contrário ou diferente de nós. Ao invés, lideranças e fazedores de opinião apelam ao agrupamento em tribos de interesses ou crenças comuns, e aconselham-nos a fugir do desigual e do polémico, por ser contra-producente e obstruir o nosso desenvolvimento pessoal.
A massificação dos discursos motivacionais, massagens ao ego tão em voga, fazem o resto. Somos os maiores e o resto é paisagem.
Sendo assim, porque nos admiramos tanto com ódios gratuitos e mesquinhos expostos nos murais da virtualidade?
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