por Gualter Pereira

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A escassez de oferta cultural causada pela pandemia foi inusitadamente substituída pelas espectaculares coreografias de cambalhotas e piruetas das direcções de saúde, órgãos de Estado, e até das organizações supranacionais que levaram a uma sensação de falta de coerência e autoridade, pela inadequação do diálogo com as populações. Esta corrosão das rotinas, dos símbolos, e demais estruturas de interacção social, tem, passo-a-passo, suscitado um mal-estar, uma espécie de anomia, conceito introduzido por E. Durkheim, que pode ser indutor da desintegração das normas sociais e um consequente caos e conflito social.

Este é o cenário ideal para o ataque dos oportunismos macabros, que, aproveitando o enfraquecimento dos poderes instituídos, os hostilizam, colocam em causa a sua eficiência e no momento seguinte vendem soluções primárias e fantasiosas para aquilo que é de natureza complexa e exigente.

As democracias não são perfeitas. Não são um sistema de fim de linha, o culminar de um processo. São o processo em si mesmo e adequam-se aos tempos pelo diálogo e interacção social dos seus vários agentes. Quebrar essa corrente de comunicação é levá-la a um estado moribundo, presa fácil para os seus detractores.

Uma atitude crítica, interventiva, denunciadora das injustiças, dos desequilíbrios, das incongruências, é salutar e é o esperado de uma sociedade civil madura e emancipada. Mas os meios que utilizamos devem ser leais e sérios.  A propaganda enganosa, as fontes de origens duvidosas, nomeadamente sites e plataformas de apoio a fenómenos populistas primários e “pasquins” instalados por personagens da estirpe de Steve Bannon e companhia, cujas boas intenções e denúncias desinteressadas que percebemos na epiderme, apenas servem para promoverem uma agenda escondida de desintegração com fins bem mais complexos e problemáticos.

A menos que queiramos o desmantelamento de um Estado moderno que seja o garante da segurança, justiça e bem-estar, convém estarmos atentos, não sendo peões inconscientes numa estratégia pouco inocente de dominação total, repugnante e que nos levará a um retrocesso civilizacional.

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