por Gualter Pereira

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Não é a inovação, a metodologia, a bondade ou utilidade das ideias que fazem o sucesso da carreira dos treinadores de futebol. O seu êxito é escrito pelo desfecho positivo de um período de noventa minutos, a que chamamos o jogo. É certo que todas essas características podem construir os resultados, mas, se assim é, o que será que determina que um mesmo treinador, com os mesmos métodos e filosofias, possa alcançar rendimentos diversos em épocas diferentes? Será a equipa disponibilizada? O ambiente que o cerca? O “momentum”? O respaldo dos seus dirigentes?

A carreira de um treinador é uma caricatura forte da vida de cada um de nós. Dando de barato que estamos apetrechados de ferramentas e visão, as nossas qualidades intrínsecas têm de estar sincronizadas com uma data de factores externos para que sejamos bem-sucedidos num determinado momento da nossa história. E nada nos garante que o seremos a seguir.

Vivemos no tempo em que as cruéis abordagens utilitárias dos relacionamentos monopolizam as nossas decisões, fazem doutrina de empoderamento e determinam as regras. As regras do jogo. Sejam noventa minutos ou noventa anos, o jogo tem de ser ganho a qualquer custo.

Terá de ser assim? Teremos de ganhar sempre? Ganhar faz-nos melhores, mais ricos, mais experientes, mais preparados, sempre?   No jogo da vida, é preferível ganhar mais vezes ou ganhar melhor? Ganhar melhor é consegui-lo, com mais “qualidade de jogo”; com projecto consistente; com coerência de valores; com sentido de entrega a um colectivo e não apenas com o furor individualista de alcançar metas; com amizades “inúteis”, mas que se tornam insubstituíveis.

Ganhar melhor, com certeza!

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