
Esta é a hora do triunfo dos fanfarrões.
Na arte arrogante há pouca subtileza. A tela branca, de ausente sentido, permanece incapaz de receber qualquer traço de sensatez, de caminho e de clareza. As cores são pesadas e graves, vincadas e urgentes, simples mas onomatopaicas.
Para onde vamos? Somos levados vertiginosamente para a noite dos tempos.
O fanfarrão vive dias gloriosos. Já não precisa dissimular fraquezas e erros próprios. Basta proclamar verdades e morais. As suas, as do seu mundo sadio na intolerância, mas mirrado na vida de empatia.
A palavra já não é gentil nem acolhedora. Torna-se truculenta, na ânsia de ficar à tona de uma superfície e de um ambiente desconhecido, e no impulso de levantar as bandeiras das virtudes do ego próprio. O cérebro de onde provém essa palavra espalhada, é o alambique destilador de raivas e rancores.
Faz-se caminho num campo de batalha de tribunas e teclados, pisando sem piedade o semelhante que é apenas o outro, já não um de nós. O mal personificado no nosso igual.
Sim, chegou a hora do triunfo dos fanfarrões.
Vai deixar-nos moribundos, despidos de humanidade. Cegos para a compaixão, tontos com a vertigem da justiça ilusória, sem complacência ou perdão.
Pelo glorioso mundo dos nossos ideais.
E quando despertarmos desta loucura, estaremos todos mais pobres, menos livres, menos generosos, menos semelhantes, menos humanos e então, mais afastados uns dos outros e mais separados do criador que se aproximou da humanidade perdida.
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