por Gualter Pereira

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Leio um texto de Mércio Pereira Gomes, em que o autor explica que o acto de “mirar o Outro como possível igual a si mesmo”, elemento essencial para o surgir da Antropologia como ciência, só foi praticável num tempo de dúvida, que em consequência abriu espaço ao reconhecimento do valor de outras culturas. (Gomes, Mércio Pereira. Antropologia. São Paulo: Editorial Contexto. 2008.)

Esse tempo surgiu na Europa pós-medieval, quando a incerteza do futuro e a perda de uma certa identidade ancestral, escancarou a falência das certezas absolutas e desencadeou o acto de olhar para os outros povos e concebê-los como iguais, embora diferentes nos seus valores e significados.

Este olhar antropológico precisa de voltar a tomar conta do nosso espírito de semideuses gregos, estado para o qual nos encontramos a regredir apressadamente. Estamos determinados em demonstrar a nossa genialidade superior e em ver o outro como bárbaro, esquisito ou alvo a abater.

Individual e colectivamente é necessário desmontar do cavalo da sobranceria, exercitar a habilidade de duvidarmos de nós mesmos, perder o cunho medievalista da nossa identidade, que ofusca a visão do outro como igual, e o quer subjugar à nossa perspectiva de mundo.

É imperioso reaprender a apreciar a humanidade que ao redor de nós se expressa de modo diferente.

Este é o tempo de exercitarmos as dúvidas, sendo expostos ao pensar controverso do outro. Este é o tempo de deixarmos de ser deuses e voltarmos a ser humanos.

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