Muita da dificuldade em nos entendermos acontece porque vivemos enclausurados num mundo de percepções diferente do dos outros. Achamos sempre que as nossas posições são mais perfeitas e, por vezes, inegociáveis ou inconciliáveis com a diferença.
A história original do Natal, dá-nos uma lição incrível a este respeito. Fala-nos de alguém que deixou o seu mundo de percepção divina e veio viver as sensações, os dilemas, as fraquezas e forças das diversas visões humanas. Este gesto que restaurou a comunhão entre o céu e a terra, trouxe uma alegria esperançosa a um mundo cheio de certezas morais e religiosas, mas sombrio e desigual na sua essência.
Talvez nos falte recuperar o ensinamento deste gesto. Talvez não sejamos humildes o suficiente para entendermos a grandeza contida no acto de caminharmos em direcção ao mundo de percepções dos que nos rodeiam, e o enriquecermos e honrarmos com entendimento e aceitação. Eu reconheço que não estou perto sequer desta atitude.
Que o nosso Natal, apesar de fisicamente distanciado, seja invadido por uma proximidade e comunhão de percepções que nos faça recuperar a alegria e a esperança.

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