
O vidro embaciado dá a ideia de que lá fora reina a intempérie. Se eu não o limpar nunca terei a verdade clara e límpida. O filtro da minha percepção é enganador. É preciso entender que o vidro, mesmo transparente, nem sempre transmite a realidade, porque a sua transparência dá, ao mesmo tempo, colo ao ruído visual e ao desfoque. É necessário educar a percepção. Aprender a imaginar o que está para além de um vidro embaciado, que finta o entendimento dos nossos sentidos. São os sentidos que nos dão o poder de interpretação, a capacidade de alcançarmos a compreensão das intenções, e eles devem ser instruídos a não caírem no engodo da simulação. E às vezes impõe-se o abrir da janela, para alargar os horizontes, para ver melhor, e mais ainda, para sentir, para que suceda o envolvimento no genuíno ambiente da realidade. Porque só a imersão no autêntico retira de nós a altivez do olhar arrogante e equivocado.
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