Venho aqui deixar uma sugestão ousada. Proponho a candidatura da raspadinha a desporto olímpico. No fundo, trata-se de uma espécie de “mini curling” localizado. Em vez de esfregarem um chão impecavelmente encerado, os seus praticantes raspam com igual mestria um pedaço de cartão polido. Não faltam entre nós adeptos dedicados, capazes de engordarem o pecúlio medalhístico da nação, num próximo certame olímpico.
Quando saio para o habitual passeio higiénico, não consigo desviar o olhar do detalhe que contrasta com o panorama desértico das ruas e da quase totalidade das lojas fechadas. Pequenas aglomerações de praticantes do raspanço pendurados nas entradas dos quiosques, num equilíbrio prodigioso entre a perícia e o empenho, dedicam-se convictamente àquela prática.
Até ao momento não se prova que estes ajuntamentos causem vagas de contágio pandémico. E, se assim é, demonstra-se que se trata de um desporto. A prática de desporto é aconselhada desde o início da pandemia pelas autoridades de saúde, como medida de prevenção e reforço da imunidade. Afinal, estes briosos praticantes do luso “mini curling” são valentes desafiadores do bicho que nos assola e estão protegidos pela aura atlética.
Quem acha esta proposta de “mini curling” idiota e impraticável, nunca passou um par de horas divertidas a meter bolas nos buracos de um dos inúmeros circuitos de mini golfe, que pululam nos equipamentos de lazer espalhados pelo país. O facto de ser mini, neste caso, não lhe retira predicados. Proponho então que se façam dos quiosques do nosso país, locais de interesse desportivo e de lazer, para que o exercício do “mini curling” lusitano se consolide e expanda.
Em caso de necessidade utilizem-se os espaços das livrarias fechadas para a prática deste novel desporto. Mas cuidado… não se toque nos livros. Esses sim, são meios de contágio perigoso, inutilidades que nem em desporto se conseguem converter.
Deixe um comentário