
Aprecio conversas do tipo “todo-o-terreno”. Não apenas porque tenham amplitude e abrangência tão vastas quanto o “todo-terreno” insinua. Também por serem aqueles diálogos que deixam em nós rastros, trilhos, como os dos rodados de um veículo na terra. Tanto que os seus efeitos não desaparecem com facilidade e obrigam a voltarmos à sua recordação e à reflexão. São conversas que nos sacodem violentamente, nos deixam o corpo moido, e obrigam a refazer caminhos, conceitos, convicções. E há um encantador mistério em tudo o que, vindo de outras mentes, origina estimulos intelectuais e efeitos corpóreos visíveis. Esta é para mim a mais bela interacção entre seres distintos. Aquela que gera transformação.